Estão tentando me enganar. Um bando de trapaceiros. Antigamente eu ia à feira e escolhia as frutas que queria comprar. Isso vai acabar. Quando era criança, meu vô me ensinou a escolher. Gosto de maçãs pequenas, são mais fáceis de acomodar na geladeira. Gosto de frutas geladas. Bons tempos aqueles. Os vendedores estavam sujeitos a uma regra muito simples e eficiente. Quando tentavam me empurrar algum produto que eu não queria ou atendiam mal, bastava procurar minhas frutas em outra banca. Não gosto que me empurrem as coisas. Caminhava alguns metros e pronto. Nem precisava andar muito. Funciona. Todos que vão à feira sabem que funciona. Funciona há séculos. Funciona tão bem que, na Alemanha, anos atrás, os mestres-cervejeiros se reuniam para procurar, humilhar e punir os concorrentes desonestos que adicionavam açúcar em sua cerveja para aumentar o rendimento. Era uma prática desleal, trapaça.
O teste era simples. Derramavam um barril de cerveja suspeita em um banco de madeira, sentavam o suspeito no banco e colocavam tudo ao sol. Se, depois de seca a cerveja, as calças do suspeito estivessem coladas ao banco, estava comprovado o uso do açúcar e isso era trapaça. Todos ficavam sabendo. Que vergonha! O trapaceiro era pego com a as calças na mão! Bons tempos. Todos se esforçavam para fazer um produto melhor, mais rápido e mais barato. Não vale trapacear.
Aqui em Pindorama, a cáfila sentiu-se insegura. Acham que não funcionaria. Desconfiaram do método. O que a súcia pretende é determinar que tipo de frutas devo comprar. Querem que, sempre que eu vá à feira, mesmo que só queira laranjas, compre maçãs de todos os tipos, mesmo que eu só goste das pequenas. Acontece que o dinheiro é meu e só gosto das maçãs pequenas. Por que deveria comprar as que não vou comer? O próximo passo é obrigar que eu as coma.
É o que querem fazer com a televisão. Uma lei que impõe cotas - sim. até na televisão - para produções nacionais. Não vai dar certo. Preocupa que malta pretenda controlar o consumo alheio. Não preciso que alguém decida por mim que tipo de produto quero consumir. Não preciso que me digam o que ver na televisão. E pasmem! Os produtores nacionais são meninos grandinhos e não precisam de proteção de ninguém. Muito menos as minhas custas! Eu não tenho a presunção de decidir por vocês que canal sintonizar. Vejam o que quiserem! Se estiverem insatisfeitos, mudem de canal. Não é preciso nem mesmo caminhar para conseguir o que se quer, basta apertar um botão. Vai funcionar! Mais rápido do que se imagina. Tão rápido quanto trocar de canal. Se quiserem que eu veja produções nacionais, se esforcem mais, invistam mais e ofereçam produtos competitivos. Todo mundo sai ganhando e o mercado cresce. A acomodação é inimiga da produção. Concordo que os programas nacionais geralmente são péssimos, mal executados e mal escritos, principalmente os de domingo. Garantir que serão consumidos é recompensar a incompetência e aniquilar o talento dos que superaram o meio e produzem, mesmo em meio a bananada, programas excelentes.
Postado quase simultaneamente em Etnocentristas.
1 comentários:
Nunca imaginei esse final. Me pegou de surpresa.
Postar um comentário