Quando fui convidado para esse blog, o retronormal, pensei que seria uma excelente oportunidade para dizer o que deve ser dito, para conscientizar a caterva, explicar uma coisa ou outra, quem sabe até fazer alguma diferença. Que outra opção nos resta para adversar os petralhas? (Neologismo que aparentemente já expandiu seu conteúdo semântico e já engloba todo o tipo de vigarice. Talvez em um futuro próximo, roube algum espaço do termo brasilidade.) O momento era oportuno para começar: mensalão, dossiê, caos aéreo. Agora o escândalo Renan estava prestes a engrenar. Eu estava curioso, sedento por informações. Meu desejo era ver o resultado do caso no judiciário, notícias sobre a investigação, escutas telefônicas da polícia federal, provas, contraprovas e argumentações nos tribunais. Ansiava por ver o judiciário desempenhar sua principal função. Supus até mesmo que testemunharia o funcionamento do mecanismo de equilíbrio entre os três poderes. Imaginei os pesos pendulares da tríplice balança lenta e pesadamente se movendo.
Estava convencido de que espernear é digno. Informar os inocentes de seus erros é uma tarefa nobre que ainda não começou a dar resultado. Pensei em me arregimentar na horda de blogueiros e me reunir aos que ainda têm esperança de fazer alguma diferença empunhando a pena digital. Aos poucos passei a coletar informações, observar os noticiários. Tudo em vão. Hoje perdi a réstia de esperança que brilhava no horizonte. Afoguem-se! Afoguem-se neste oceano repleto de moluscos e cefalópodes! Admito que ri, gargalhei francamente ao ver o lodo em que chafurda o eneadáctilo caeteense.
“Bush, resolve o problema da crise, porque não vamos deixá-la atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil.”
Como sou um bom rapaz, vou explicar: o Brasil e os Estados Unidos da América ficam do mesmo lado do Oceano Atlântico. E me recuso a desenhar. Pensando no tédio e no fracasso seguro de qualquer infuca virtuosa. Tentarei fazer com que meus comentários sobre política se limitem ao risível. É para evitar a fadiga, tanto a minha quanto a sua.
3 comentários:
eu consegui ver e ouvir a tua gargalhada franca... =D
gostei daqui, voltarei mais vezes!
=* César
É, meu chapa. Muito cuidado com esses cefalópodes. Estão se alastrando feito uma praga. Já deixaram seu habitat natural e seguiram da costa até o Planaltos Centrais. Uma espécie em especial, o Presidenthis brasiliensis, já é soberano por aquelas bandas.
sem tirar nem pôr, assino embaixo! (rabiscos de dona paula).
e ah, correm boatos de que os cefalópodes têm reprodução assexuada, sendo esta realizada apenas por contato financeiro. fiquem atentos!
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